Menu Content/Inhalt
Home arrow O que é TCC?
TCC - Terapias Cognitivo-Comportamentais PDF Imprimir E-mail

O QUE SÃO TERAPIAS COGNITIVO-COMPORTAMENTAIS?

Nos anos 60, com Aaron Beck, Ellis e outros, a partir de trabalhos sobre depressão, surge uma vertente terapêutica chamada de Terapia Cognitiva. Aaron Beck estava insatisfeito coma explicação psicodinâmica sobe depressão. Com influências fenomenológicas e psicodinâmicas de Adler e Horney (o comportamento é determinado pela forma como o indivíduo vê a si e aos outros), de Ellis (crenças irracionais são causa de problemas emocionais), Bandura, Mahoney e Meinchenbaum (Falcone, 2001), o modelo teórico da Terapia Cognitiva (TC) parte do princípio que as pessoas desenvolvem e mantém crenças de si e da vida, por vezes distorcidas, e agem em função delas. A modificação destas crenças, principalmente as que são a respeito de si mesmo, seria o principal objetivo da terapia.

É interessante notar, desde já, que o próprio princípio básico da TC tem influência da psicodinâmica, e que, mais tarde, será complementar às terapias comportamentais. Estas últimas demoraram a admitir a riqueza de se considerar processos cognitivos na mudança comportamental. Paralelo a isso, a primazia do ajuste cognitivo e o enfoque na experiência segundo o paciente juntam-se às técnicas de modificação do comportamento, da vertente behaviorista, e temos a criação das Terapias Cognitivo-Comportamentais. As teorias cognitivas tradicionais objetivistas (de Beck e Ellis) têm no racionalismo uma ferramenta de equilíbrio psicológico. Viver bem é pensar bem, ou corretamente (Conte e Brandão, 2001; Abreu, 2001). As terapias cognitivo-comportamentais ou comportamental-cognitivas são aquelas que conciliam técnicas de mudança de crenças com técnicas comportamentais. A integração dessas técnicas começou com J. Wolpe, com o relaxamento muscular, dessensibilização sistemática, treinamento da assertividade e parada do pensamento (Guimarães, 2001). Para Beck (1997), as técnicas comportamentais podem ser agregadas à terapia cognitiva para mudar comportamentos, mas também para extrair cognições associadas a comportamentos específicos. As técnicas cognitivas, em complemento, são eficientes para corrigir a tendência do paciente a fazer inferências incorretas referentes a eventos específicos.

De modo geral, a TCC trabalha com conceitos cognitivos, tais como:

Crença Central - crença a respeito de si e dos outros, geralmente bastante fixa e pouco flexível. Tem a ver com esquemas (que são formas de ver o mundo pradronizadas por nós mesmo ainda na infância).

Crença Periférica ou Crença de Suporte - são as crenças derivadas da Central que dão suporte a ela, corroborando-a diante das situações cotidianas.

Pensamento automático - pensamento que vêm a mente quando nos deparamos com situações-chave que fazem acionar a crença central.

Crenças e Problemas

Todos nós temos problemas, questões que nos dificultam ou impedem o avanço em determinadas tarefas e objetivos. Será que sabemos lidar bem com nossos problemas? A primeira coisa a se questionar e se sabemos identificar o problema. Você sabe qual é o seu problema? Você o conhece bem?

Existem alguns componentes básicos que devem ser avaliados em um problema, ao definir o que você está vivenciando na sua vida: o ambiente, as reações físicas, os estados de humor, os comportamentos e pensamentos suscitados. Cada um destes componentes está interligado aos demais e devem ser tomados em conjunto, de forma a direcionar áreas de mudança.

Independente do problema pelo qual passemos e do que contribua para ele (crenças, comportamentos, mudanças físicas, etc.), todos estes cinco aspectos da vida estarão envolvidos, né forma que você despenda energia emocional neles. Enquanto pequenas mudanças podem ser feitas nestas áreas, de forma a suavizar o problema, as verdadeiras mudanças devem ser feitas em nível de pensamento e de crenças.

Crenças são pensamentos sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o mundo e a vida em geral. Na verdade, levamos nossa vida de acordo com nossas crenças, e são elas que estarão por trás de nossas vitórias e problemas. Portanto, conhece-las é uma parte indispensável no processo de capacitação emocional e auto-conhecimento.

- Crenças sobre si mesmo: "Eu sou burro" ou "Eu sou fraco" ou "Eu sou feio" ou "Eu sou maluco", etc.
- Crenças sobre os outros: "As pessoas não são confiáveis" ou "As pessoas só se importam consigo mesmas" ou "As pessoas me ferirão", etc.
- Crenças sobre a qualidade de vida: "A vida é sofrimento" ou "A vida é dura" ou "Para que afinal", etc.

 A finalidade das Crenças é não sentir o desconforto da necessidade não satisfeita. Funcionam como um suporte para o indivíduo num ambiente desconfortável. O indivíduo terá a sensação de segurança ao manter as Crenças por algum tempo, produzindo uma homeostase psicológica, uma espécie de equilíbrio psicológico, tornando a vida previsível, ou impedindo a ansiedade diante da imprevisibilidade da vida.

De acordo com a exposição acima, podemos concluir que Crença Central (Nuclear) é a decisão básica, tomada intuitivamente, como por exemplo: "Não sou amado". Mais tarde poderá decidir que "Não se pode confiar nas pessoas", etc., dando suporte à crença inicial, surgindo assim, a Crença de Suporte. Ou seja, Crença de Suporte são as crenças que irão aperfeiçoar ou reafirmar as Crenças Centrais.

Vejamos um exemplo:

Fulano tem dificuldade de falar em público. O pensamento que vem a sua cabeça quando está numa situação em que é necessário falar a um grupo, por exemplo, é de que não será compreendido, e, conseqüentemente, pensarão que ele não sabe do que fala. Isso quer dizer que ele é burro e incompetente.

Situação Problema: falar em público
Pensamento automático: não vão me compreender
Crença de Suporte (pressuposição condicional decorrente do pensamento automático): pensarão que não sei sobre o assunto
Crença Central: Sou burro, incompetente.

Outro exemplo com sistematização gráfica diferente:

 Silvana entra no escritório e Maria a cumprimenta polidamente. (situação)
O que essa situação diz a meu respeito (Silvana)?
As pessoas não me dão atenção. (pensamento automático)
O que isso gera em decorrência?
Nunca terei um relacionamento íntimo de amizade (crença periférica)
E isso quer dizer que...
Sou desagradável (Crença central)

São utilizadas várias técnicas cognitivas e comportamentais para detectar e modificar tais crenças e comportamentos decorrentes.

TÉCNICAS CLÁSSICAS: relaxamento (respiração, treino e relaxamento muscular progressivo); dessensibilização sistemática e treino da assertividade (parada do pensamento).

TÉCNICAS MODERNAS: auto-instrução; inoculação do estresse e treinamento de habilidades sociais (solução de problemas, exposição, prevenção de respostas).

Dentro da modalidade terapêutica cognitivo-comportamental, temos várias vertentes. Algumas delas são:

Psicoterapia Funcional-analítica (FAP)

Na FAP (Psicoterapia analítico-funcional), desde a década de 80, trabalha-se com a relação terapêutica como instrumento, inclusive para vencer a resistência. O momento da confrontação (mostrar ao paciente qual é o problema dele), é o momento chave na FAP (Conte e Brandão, 2001). Uma série de habilidades são desejáveis ao terapeuta na hora em que confronta e esse momento deve acontecer na hora em que o paciente esteja apresentando o comportamento, por isso, a relação terapêutica é tão valorizada.

Terapia racional-emotivo-comportamental (TREC)

Fundada por Arbel Ellis, em 1955, A TREC trabalha com a epistemologia no cliente, fazendo com que eles sejam capazes de avaliar as evidências de que suas crenças sejam ou não verdadeiras, para que este mesmo possa verificar as premissas de seus pensamentos e a validade de seus silogismos A mudança mais “elegante e duradoura” envolve a reestruturação cognitiva das crenças irracionais (Range, 2001).

A terapia em TREC é um modelo educacional de atuação. Começa com a avaliação do problema do cliente (pelo método ABC), depois debate cognitivo (pode ser verbal ou por imagens – vivencia – que têm mais efeito emocional). A imaginação-racional-emotiva (‘vivência’, para outras linhas). Um terceiro tipo é o debate comportamental, com técnicas de exposição. Ou seja, pode-se trabalhar a nível emocional, cognitivo ou comportamental nesta modalidade terapêutica.

Terapia construtivista

Na década de 90, com o avanço nas neurociências, a visão acerca da cognição mudou, surgindo, com Mahoney, o paradigma construtivista dentro das terapias congitivo-comportamentais. Neste novo paradigma, há relação estreita entre a cognição e as emoções. Muito da cognição e do conhecimento é criado a partir de uma experiência emocional. Os sentidos são construídos por sentimentos e pensamentos.

Assim, “a terapia torna-se uma busca colaborativa e respeitosa de um sistema de significados pessoais revisado e ampliado” (Abreu, 2001p.65). As teorias clássicas (Ellis, Beck) enfocam o conceito da experiências segundo o paciente. Já a construtivista enfoca os aspectos emocionais da experiência. Assim, as estruturas emocionais – ainda que não exclusivamente – passam para primeiro plano na formação das estruturas conceituais.  Além do processamento conceitual, há o processamento vivencial (mais imediato e mais rápido). Primeiro, sentimos para depois pensarmos. Nenhuma emoção é errada, mesmo porque todas elas são adaptativas.

Na construção de significados, há uma primazia das emoções que antecedem o cognitivo. Emoções são “tendências à ação” que se originam nos primeiros anos de vida a partir do relacionamento com os cuidadores. Cabe ao terapeuta procurar experimentar esses significados de base emocional que o cliente atribuiu aos eventos. A relação terapêutica em si já propicia essa experimentação.

Mahoney fala de 3 Ps: no início do processo, foca-se o Problema, depois os Padrões que mantém esse problema e, por último, os Processos nos quais se manifestam os padrões e os problemas. Durante a terapia, o terapeuta deve permitir ao cliente a expressão emocional, sem desqualificá-la (Abreu, 2001, p. 73).

Terapia cognitivo-comportamental em grupo (indicada para casos de depressão)

Lima e Derdyck (2001), discutindo a característica da TCC do didatismo, ou seja, todos os aspectos da terapia são explicados ao cliente e também são feitos em conjunto os planejamentos de estratégias terapêuticas, propõem a terapia de grupo como metodologia para pacientes com depressão. Para os autores, a terapia em grupo facilitaria a aprendizagem dos comportamentos e cognições porque o próprio setting terapêutico facilita a aprendizagem interpessoal, sendo o próprio grupo fonte de reforçamento, através da modelação e da instilação de esperança (o progresso do outro é incentivo para si). O estabelecimento de objetivos e avaliações constante dos mesmos feitos em grupo faz com que o sentimento de pertencimento aumente, além da eficácia das metas terapêuticas. A coesão grupal (quando os membros são reforçadores entre si) cria laços afetivos e essa aliança é tão importante quanto aquela entre cliente e terapeuta.